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Na próxima sexta feira, dia 22 de agosto, ocorrerá o primeiro Cine Coque Vive, às 15h, na Bilioteca Popular do Coque. A ação é promovida pelo MABI (Movimento Arrebentando Barreiras Invisíveis) e pelo Observatório de Favelas, com apoio do projeto de extensão do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco que atua no bairro. O Cine Coque Vive consiste na exibição de vídeos seguidos de debates, com temáticas variadas. Inicialmente, pretende-se discutir os marcos conceituais da atuação do Observatório de Favelas, tais como Direitos Humanos, Redes Sociais, Teritório e outros.

Nesta sexta, serão exibidos dois filmes do projeto Mediálogo, produções de jovens da comunidade do Coque e de jovens de um bairro nobre do Recife, nas quais cada grupo apresenta a visão que tem do outro, numa espécie de vídeo-carta. O Mediálogo é uma iniciativa da ABA - Associação Brasil América. O vídeo realizado no Coque, intitulado Desclassificados, foi feito durante a oficina Leitura das Mídias, que integra o Projeto Redes de Valorização da Vida, realizado em Recife e no Rio de Janeiro pelo Observatório de Favelas. A temática do filme versa sobre representações acerca dos espaços populares, primeiro tema do Cine Coque Vive. O evento é aberto ao público.

Cine Coque Vive
Onde: Biblioteca Popular do Coque. Rua Centenário do Sul, nº 70, Coque. Recife, PE
Quando: 22 de Agosto, a partir das 15h

Vídeo e fotos da comunidade são exibidos no Rio de Janeiro e no Recife

O documentário A linha, a maré e a terra, produzido por jovens do Coque e da Universidade Federal de Pernambuco, será exibido no Cine Cufa 2008. O evento, que acontecerá em setembro, no Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro, reúne vídeos de diversos países, como França, Itália e Estados Unidos, e pretende traçar um panorama das obras cinematográficas das periferias do mundo. A linha, a maré e a terra, realizado pelo projeto de comunicação Coque Vive, resgata a memória de antigos moradores da comunidade, Dona Paulina, Seu Xavier e Dona Francisca. Os três falam de suas vidas e da história da remoção forçada de muitos moradores do Coque por parte dos poderes públicos para construção da Estação de Metrô Joana Bezerra e do Fórum Rodolfo Aureliano, nas décadas de 80 e 90.

Quem não vai para o Rio, pode conferir as produções de jovens do Coque na III Mostra Recife de Fotografia. As fotos Revelando o Coque foram feitas por alunos do Curso de Agentes de Comunicação Solidária, que é realizado há dois anos no Coque, através da parceria de estudantes da UFPE com a associação Núcleo dos Irmãos Menores de Francisco de Assis (Neimfa). Participam da Mostra Recife de Fotografias 55 trabalhos de fotógrafos profissionais e amadores escolhidos, entre mais de 120 trabalhos inscritos, por meio de seleção. O material será projetado em sete sessões, a partir do dia 31 de agosto, em espaços públicos de grande circulação da cidade, tanto do Centro quanto dos subúrbios, como praças Maciel Pinheiro e Independência, UR7, na Várzea; Pátio de São Pedro, Morro da Conceição e Brasília Teimosa.

COQUE VIVE - Há dois anos, estudantes de comunicação da UFPE se juntaram a jovens do Coque com o objetivo de produzir novas imagens sobre esse espaço. Assim nasceu o projeto Coque Vive, que busca difundir um olhar diferenciado da comunidade, a partir de produções midiáticas de seus próprios moradores. Algumas dessas produções podem ser vistas através desse blog, coquevive.wordpress .com.

Vídeos no YouTube

Toda a produção audio-visual do Coque Vive estará, em breve, disponível no You Tube, no canal Coque Vive. Mas, quem quiser, pode conferir e comentar os vídeos que já estão lá: o do Circuito das Escolas e da Biblioteca Popular do Coque.

http://www.youtube.com/user/CoqueVive

André Dib
Especial para o Diario

No dicionário, um dos significados da palvra coque é “combustível derivado do carvão betuminoso”. Para os recifenses, no entanto, é o nome de uma comunidade formada entre os bairros de São José e a Ilha de Joana Bezerra, e tida como um dos locais mais violentos da capital. Raras exceções, os noticiários reforçam o senso comum: Coque é sinônimo de tráfico, homicídio e crimes afins. Em 2006, um grupo de universitários dispostos a trafegar na contracorrente dessa informação resolveu conhecer de perto o dia-a-dia de quem vive por lá. O intercâmbio levou a um processo colaborativo, cujo resultado se apresenta hoje com o lançamento do vídeo A linha, a maré e a terra: Memórias do Coque e dos livros Coque Vive: Exercícios do Olhar e Coque Vive: Notícias.

Estes são os primeiros produtos do Coque Vive, projeto de extensão da Universidade Federal de Pernambuco executado por alunos de Jornalismo, Radialismo, Letras, Educação e Administração, sob orientação da professora de Comunicação Social Yvana Fechine. Trata-se de uma série de ações realizadas em parceria com ONGs e instituições públicas e privadas, dispostas em dois eixos: capacitação e produção de conteúdo. O primeiro se realiza através de um curso de formação de agentes comunitários de comunicação, que incentiva a postura crítica e discute as representações sociais. “É um processo de reconstrução de identidades”, explica Fechine. “Estamos falando de um grupo de jovens que se viam sem valor e começam a perceber que há outras formas de se construir”, completa.

No vídeo que será exibido hoje, o processo indicado por Fechine se revela na prática. Nele, antigos moradores do Coque narram a luta para permanecer no local, frente à construção da estação de metrô de Joana Bezerra e do Fórum Rodolfo Aureliano. Entre depoimentos de Dona Paulina, Seu Xavier e Dona Francisca (pais dos alunos do projeto), surgem denúncias de remoção forçada que nunca viriam à tona pelas fontes oficiais. Tudo foi gravado durante um evento na biblioteca do Coque, fundada um ano atrás - algo inédito na história da comunidade.

Outra qualidade do vídeo, que se estende aos livros, está no registro do processo de formação, o que permitiu a construção de um olhar livre dos vícios de linguagem. O livro Exercícios do olhar reúne imagens pouco usuais quando se fala em regiões pobres do Recife. São cenas do cotidiano com o primor de pontos de vista claramente influenciados por exercícios estéticos. O outro livro, Notícias, é uma grande clipagem que revela a evolução de como o Coque vem sendo apresentado pela mídia desde os anos 70, tendo como base as edições digitalizadas do Diario.

Os jovens do projeto não estão restritos geograficamente ao Coque. Durante as atividades, visitam universidades e empresas de comunicação. Os frutos vão além dos produtos agora lançados. Uma das alunas, Monique França, prestou vestibular e hoje estuda turismo na UFPE. O próximo passo será a construção de um espaço próprio, batizado estação digital de difusão de conteúdo. O equipamento da miniprodutora já está disponível: câmera de vídeo e fotográfica, projetor de imagens e ilha de edição. Resta saber se boas notícias como esta são pouco veiculadas por sua raridade, ou porque a maior forma de violência ainda é o preconceito.

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Diário de Pernambuco - caderno Viver

30 de junho de 2008

Projeto comemora também o lançamento de dois livros e o aniversário da Biblioteca Popular do Coque

O vídeo A linha, a maré e a terra: memórias do Coque, primeiro documentário realizado por estudantes e monitores do projeto Coque Vive, será exibido nessa segunda-feira, 30 de junho. Na ocasião, também serão lançados os livros Coque Vive: Exercícios do olhar e Coque Vive: Notícias. O evento, parte das comemorações de um ano de atividades da Bilioteca Popular do Coque, ocorrerá na Rua Centenário do Sul, no Coque, a partir das 15h. O vídeo e os livros são resultado da parceria do Coque Vive, projeto de extensão da UFPE, com a Faculdade Latino Americana de Ciências Socias – FLACSO, O Coletivo Latino Americano de Jovens e a Fundação Kellog.

Vídeo – A linha, a maré e a terra é o primeiro documentário realizado por alunos e facilitadores do Projeto de Comunicação Coque Vive, que há dois anos desenvolve um trabalho formativo cujo ponto de partida é o questionamento das representações sociais da comunidade do Coque na grande mídia.

O documentário mostra as memórias de Dona Paulina, Seu Xavier e Dona Francisca (respectivamente, avó, pai e mãe de Monick, Sandokan e Berg, alunos do Projeto Coque Vive), que vivem há mais de 40 anos no Coque. Os três falam de suas vidas e da história da remoção forçada de muitos moradores do Coque por parte dos poderes públicos para construção da Estação de Metrô Joana Bezerra e do Fórum Rodolfo Aureliano, nas décadas de 80 e 90.

Livros – Coque Vive: Exercícios do Olhar é um livro de fotografias e memórias, composto por imagens produzidas pelos alunos do Curso de Comunicação Solidária, oferecido no Coque por alunos da UFPE desde 2006. Os textos e as fotos se complementam com o objetivo de contruir um contra-discurso à dominante estigmatização do Coque como um lugar de pessoas violentas. Para uma construção ainda mais embasada desse contra-discurso, foi feita uma grande clipagem com as notícias publicadas sobre o Coque nos últimos 30 anos. O resultado desa pesquisa encontra-se no livro Coque Vive: Notícias, uma seleção das reportagens consideradas mais significativas para a formação da imagem da comunidade.

Biblioteca – Inaugurada oficialmente em junho de 2007, a Biblioteca Popular do Coque é o primeiro espaço comunitário de fomento à leitura no bairro. O pontapé inicial para a sua construção veio com a aprovação de projeto no programa BNB Cultura, que possibilitou a compra de materiais básicos para a construção do local, como armários e estantes. Praticamente todo o acervo foi adquirido através de doações. Atualmente, acontecem diversas oficinas no espaço, além de um trabalho com crianças. Todas as atividades são pensadas e ministradas por jovens da comunidade e outros voluntários. A Biblioteca é uma parceria entre a ONG Núcleo Educacional Irmãos Menores Francisco de Assis – NEIMFA, a Igreja São Francisco de Assis, alunos de comunicação social da UFPE e o coletivo Movimento Arrebentando Barreiras Invisíveis - MABi.

Coque Vive – O projeto Coque Vive é um conjunto de ações em Comunicação, Educação e Cultura realizadas, desde 2006, no bairro do Coque. O projeto busca estimular a produção/difusão de conteúdos sobre o Coque a partir de seus moradores. Com esse intuito, são oferecidos a jovens do bairro cursos em que se criticamente a comunicação e oficinas de manuseio técnico-expressivo das mídias. Para mais informações, acesse o blog www.coquevive.wordpress.com.

SERVIÇO

O quê? Lançamento do vídeo A linha, a maré e a terra: memórias do Coque e dos livros Coque Vive: Exercícios do Olhar e Coque Vive: Notícias

Quando? Segunda, 30 de junho, a partir das 15h

Onde? Rua Centenário do Sul (a rua da Biblioteca Popular do Coque)

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