Há um ano, eu escrevi um texto que começava assim:
“Uma casa de alvenaria com pouco mais de 15 metros quadrados divididos em 3 ambientes. O acervo da Biblioteca Popular do Coque – composto, principalmente, por livros doados – faz com que o pequeno local pareça ainda menor.”
O texto refletia bem o meu espanto: eu não conseguia entender como um lugar tão pequenino pudesse guardar tantos sonhos.
Algumas semanas antes da inauguração da Biblioteca, estávamos todos lá, alunos da UFPE, integrantes do MABI, o pessoal de Peixinhos, crianças que brincavam na rua e quiseram entrar para ver… Era um espaço (ou uma falta de espaço) cheio de livros no chão e algumas estantes ainda vazias. Sem ter onde sentar, nos acomodamos no solo de cimento batido, ao lado de Machado de Assis e de volumes da Enciclopédia Britannica. Tantos sorrisos! Era um encantamento. Era a promessa de que, dali a alguns dias, aquele espaço estaria aberto em sua total capacidade de sonho.
E duas semanas depois, estávamos lá novamente. Era a inauguração. Mera formalidade: as crianças da rua Centenário do Sul já haviam tomado conta do espaço. Elas pulavam de um lado para um outro, pegavam livros e liam as histórias, mesmo quando não tinham nem idade para saber ler. Elas viam as figuras e nos contavam suas próprias narrativas – muito mais vivas do que letras mortas num papel.
Na calçada, do lado de fora Biblioteca, a gente cantava com as meninas do Casas Populares, cantava que queria ter uma casinha branca… E a casinha estava lá, bem na nossa frente. Feita de todos os sonhos e sorrisos daquele dia e de todos os outros. Feita também com muitos tropeços, é verdade, mas a gente sempre se esquece deles quando vai chegando a hora de se dizer parabéns. É que a Bilbioteca Popular do Coque está fazendo aniversário. É a melhor hora pra dizer…
- Muitas felicidades! Muitos anos de vida!
Andréa




