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Coque Vive

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Quando se pensa em Coque qual a primeira idéia que vem na nossa cabeça? Uma comunidade que fica na área central do Recife, perto da cidade, de Afogados, dos Coelhos. Todo mundo que passa no ônibus no viaduto Joana Bezerra vê o Coque lá embaixo. Pois é. O Coque é ali mesmo! E o que é que tem no Coque? Tem mãe, tem pai, tem menino jogando bola, estudando! Tem um céu bonito que enche os olhos, um sol quente de rachar, tem até cavalo! E sabe o que mais? Tem uma Biblioteca Popular, tem banda de rock, tem maracatu, tem o Neimfa (casa bonita, colorida, cheia de gente aprendendo e ensinando), tem igreja, tem escola!! É por isso que o Coque Vive! Por que tem muita gente nele, e onde tem gente tem vida!

Comunidade com 40 mil habitantes. Localizada na ilha Joana Bezerra, ocupa uma área de 133 hectares – o equivalente a quase 110 campos de futebol. Está a cerca de 2,5 km do centro do Recife e a 3,5 km de Boa Viagem, bairro com melhor Índice de Desenvolvimento Humano da capital pernambucana. A proximidade com esse pólo de prosperidade, porém, não se reflete em qualidade de vida para os moradores da comunidade.

O Coque é o último colocado no ranking do Desenvolvimento Humano recifense. A população local sofre com graves problemas de saneamento, moradia, meio-ambiente, educação e saúde. Os índices de pobreza da região são gritantes: 57% da população vive com renda mensal entre 130 e 260 reais, número abaixo da média estadual, segundo o Mapa do Fim da Fome II (Abril/2004). A partir de índices sociais tão negativos, a escalada da violência vem crescendo em gravidade, tornando-se o maior desafio para as instituições governamentais ou não-governamentais que lá atuam.

Por causa da violência, o bairro é amplamente bombardeado pelos meios de comunicação, chegando a ser retratado em manchetes como “Coque: morada da morte”. Os moradores do Coque acabam sofrendo mais preconceito do que os de comunidades com índices mais altos de violência ou de pobreza mas que representam menor risco no imaginário coletivo do Recife.

Os adolescentes do Coque têm sido um público crítico, já que a auto-estima baixíssima gera uma revolta desmobilizada que alimenta a violência. Esses jovens vêm sendo sistematicamente desconsiderados nas ofertas de emprego das áreas vizinhas porque são vistos como “gente perigosa” e terminam sendo mais vulneráveis a cooptação pelos grupos criminosos existentes no bairro.

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